Documentário sobre Batatinha ganha lançamento comercial em Salvador
Lucas Cunha, do A TARDE ON LINE
Se o baiano Oscar da Penha, o sambista Batatinha, estivesse vivo, teria completado 85 anos no dia 5 de agosto. A data, que poderia servir para a Bahia e o Brasil celebrarem um dos maiores compositores que a música popular e o samba já tiveram, poderia passar totalmente em branco, caso, com certo atraso, mas ainda no mesmo mês, não ganhasse lançamento comercial "Batatinha – Poeta do Samba", documentário de 62 minutos de Marcelo Rabelo que passa a ser exibido a partir desta sexta(28) no Espaço Unibanco Glauber Rocha, em Salvador.
A priori, o filme de Marcelo, viabilizado por um edital da Petrobras de R$ 80 mil, estava fadado ao circuito dos festivais de cinema. Foi em um deles, o Panorama Coisa de Cinema, em março deste ano na capital baiana, que ganhou sua estreia.
O êxito da sessão, com sala cheia, e a emoção que o filme causou no público, despertou a atenção de Claudio Marques, idealizador do Panorama e administrador do recém-reinaugurado Glauber Rocha, charmoso cinema da Praça Castro Alves. Partiu de Claudio a ideia de lançá-lo no circuito comercial.
"O lançamento traz duas provocações que eu quero fazer. Primeiro, tirar o cinema baiano de ficar restrito ao evento. Se tem um filme passando em um evento como o Panorama, todo mundo do cinema baiano acha que tem que ganhar convite, porque ficou estranho pagar. Isso é muito depreciativo para o cinema que a gente está fazendo na Bahia. Este é um documentário importante pra gente, e acho que ele tem um apelo popular. Precisamos começar a testar como ele funciona em situações normais de exibição, valorar da mesma maneira que a gente valora os filmes de fora", diz Claudio.
Trailer de "Batatinha - Poeta do Samba
"A outra provocação é refletir que a gente precisa fazer o filme, mas também pensar em como lançá-lo. Não dá mais para pensar em dar um milhão para um longa-metragem, sem pensar em colocar 10 mil estudantes na Sala Walter da Silveira para ver esse longa. Tem que se ter uma política de produção, mas tem que se ter também uma política de distribuição voltada para fora da Bahia, para fora da Brasil, mas principalmente para exibição aqui (na Bahia)“.
O diretor Marcelo está animado com o convite e espera que o filme tenha uma boa reação e presença do público, o que pode servir de ponto de partida para conseguir levar o documentário sobre Batatinha para outros estados. Mas, por enquanto, a ideia é lançar o DVD, com tiragem de mil cópias, durante o período da exibição do filme no próprio Unibanco Glauber Rocha.
"Queria esperar a chegada do material completo para enviar para fora de Salvador. É algo bem elaborado, encarte de 16 páginas, com biografia, fotos antigas, depoimentos dos filhos de Batatinha e legendagem em inglês. A intenção é que o DVD sirva de estímulo para a família levar algum projeto em frente, sirva como um cartão de visita para que eles possam trabalhar na preservação da obra de Batatinha".
IMPROVISO – O filho Artur é um dos herdeiros da obra do mestre Batata que aguarda que, com o lançamento do filme surja um reconhecimento maior, especialmente na Bahia. Sem produtora por trás do lançamento, Artur e os irmãos, com auxílio do diretor Marcelo, vão organizando, do jeito que dá, alguns eventos.
É assim que, meio que em cima da hora, eles pretendem fazer uma pequena apresentação nesta sexta(28), no hall do Espaço Unibanco, às 18 horas, para que o lançamento comercial do filme não passe em branco.
"Agora é a hora da maratona. Pretendemos lançar o filme em vários lugares na cidade. Quero organizar uma apresentação no Teatro do Sesi (no Rio Vermelho), mas estou tentando fazer uma programação. Além disso, Batatinha era muito bem recebido em São Paulo e no Rio de Janeiro. Mesmo não tendo nada amarrado ainda, quero levar o filme para estes lugares”, diz Artur.