15/07/09
Novos cineastas baianos comentam o êxito do filme "Apenas o Fim"
Lucas Cunha, do A Tarde On Line
Take 1 – São Paulo, Av. Paulista. Saio da sessão de "Apenas o Fim", filme de Matheus Souza, que aos 19 anos(hoje tem 20), rodou um longa com alguns colegas de faculdade. O tema é simples: o fim de um romance, acompanhado por um caminhão de referências a cultura pop dos anos 90 e 00.
O filme traz questões, mas a principal é: como será que a turma baiana, que está na luta para entrar no mercado, dialoga com os temas e a forma encontrada por Matheus para encontrar seu caminho no cinema?
Take 2 – Salvador, pré-estreia na sala da Ufba – Quem melhor para discutir estas questões do que jovens cineastas? A sessão, praticamente lotada, parece ter agradado, pelos risos em citações como “Transformers é melhor do que toda a obra do Godard”.
Take 3 – Um bar no Rio Vermelho – Todos postos a mesa, a opinião sobre o filme é praticamente consensual: “O mais bacana é ver que tem gente na faculdade, que é a nossa fase de pensar mais no autoral, produzir algo que quer dialogar com o público“, diz Paula Gomes, 29.
”Na faculdade, você é convocado a cumprir certos programas. A melhor coisa que ele fez foi não ouvir ninguém, não ter medo do ridículo”, acha Davi Ramos, 26.
Visões – As opiniões são sobre o filme, mas se aproximam do que a maioria põe em prática nas suas produções. Não por utilizarem o mesmo tema, mas por se apropriarem de questões e visões de assuntos ao seu redor, que vão de movimentos sociais à questões existencialistas.
Importante salientar isso, afinal eles fazem cinema na Bahia, terra de Glauber Rocha, cineasta que nos colocou no mapa da história cinematográfica. O que pode jogar contra quem apareça depois e fuja da abordagem política/social, ou da tentativa de experimentações do maior nome do cinema novo.
“Acho inegável o valor de Glauber, mas não suporto esse ranço que ficou, aquela coisa 'uma câmera na mão, uma ideia na cabeça'. Não faço cinema assim. Sou muito mais por [o cinema de] Renato Aragão e Os Trapalhões”, afirma Paula.
Não que as lições e as referência do diretor de "Terra em Transe" sejam totalmente negadas. Da mesma cidade onde nasceu Glauber, Vitória da Conquista, vem Sophia Mídian, 25, aquela que talvez seja a com maior teor político em seu trabalho. Um deles é "A Visão de Dentro", sobre o cotidiano dos agricultores do MST, que acaba de ficar pronto pelo projeto DOC TV.
“O que me liga a sua figura não é o arquétipo do revolucionário, mas a minha necessidade de me expressar. Como diz Paulo Freire: 'O ímpeto da vontade amorosa de mudar o mundo'. Pra mim, Glauber é isso”.
Take final – Na despedida, alguns falam animados sobre novos projetos que estão sendo gestados ou perto de ganhar as telas do cinema, da TV ou do You Tube. Fica uma boa sensação de que eles querem fazer acontecer, precisam contar suas histórias. E o caminho que encontraram para isso foi o da sétima arte.
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