13/09/07
Jornada de cinema tem abertura modesta nesta quarta-feira
Clarissa Borges, A TARDE On Line
O protesto marcou a modesta abertura da 34ª Jornada Internacional de Cinema da Bahia nesta quarta-feira, 12, no Museu de Arte Moderna, no Solar do Unhão, Avenida Contorno. O diretor do evento, Guido Araújo, queixou-se dos exíguos recursos que, segundo ele, não deram nem para financiar o coquetel de abertura. “Estou começando a jornada a zero”, reclamou o organizador do evento criado em 1972 como forma de resistência artística à ditadura militar.
Com patrocínio da Petrobrás e financiamento do Ministério da Cultura e Governo do Estado, a Jornada tem penado mais a cada ano para sobreviver. Guido, entretanto, não revelou o valor total recebido para a organização do evento. O secretário da Cultura, Márcio Meirelles, não compareceu, mas enviou representante, prometeu ampliar o apoio no próximo ano, e ressaltou que o audiovisual tem “importância absoluta” para a secretaria.
Modesta foi também a programação para a abertura. Na sala de exibição do museu – e no telão instalado do lado e fora – foram exibidos trechos de “Viva o México de Frida e Ofélia”, de Menandro Ramos e Guido Araújo (que será exibido na íntegra durante a jornada), “Agnaldo Siri – Fazedor de Cinema”, de Claude Santos e “Single Leg Club”, de Sergi Augusti.
Em seguida, na Sala de Arte do Museu, no Corredor da Vitória, foi exibido o docudrama argentino inédito no Brasil “M”, de Nicolas Prividera. O filme sobre crianças que foram retiradas dos pais durante a ditadura retrata a história de vida do próprio diretor.
O público também assistiu a um protesto do cineasta Noilton Nunes, que repudiou a falta de espaço para o seu filme mais recente, “A paz dourada”, sobre a vida e obra de Euclides da Cunha. Em carta endereçada ao Ministério Público, o cineasta reclamou espaço nas salas de cinema ocupadas por produtos americanos e clamou pela valorização do cinema nacional. “Não precisamos de novas leis. Precisamos de um povo consciente de sua força e de seus direitos”, declarou.
O cineasta Nelson Pereira dos Santos, aguardado para a abertura e para o Seminário Internacional de Integração Cinematográfica Latino Americana que acontece nesta sexta-feira dentro da Jornada não pode comparecer. Ele adiou a vinda a Salvador para sexta-feira em função de compromisso da Academia Brasileira de Letras.
Dentre o público presente à abertura, (cerca de 200 pessoas), cineastas, professores e dirigentes de órgãos ligados à cultura, como Póla Ribeiro, diretor geral do Irdeb, o deputado estadual Emiliano José, e os diretores das faculdade de Comunicação e de Educação da Ufba, Giovandro Ferreira e Nelson Preto.
Durante a solenidade de abertura foram apresentados ainda o os jurados desta edição da Jornada. Compõem o júri Eric Nepomuceno (escritor e jornalista); Bráulio Tavares (escritor e compositor); Regina Abreu (antropóloga e produtora); Rudá de Andrade (cineasta)
Almandrade (artista plástico e poeta); Mariluce Moura (jornalista) Inês de Medeiros (atriz e realizadora portuguesa) Javier Corcuera (produtor peruano radicado em Madri); Ricardo Casas (cineasta Uruguaio) e Jorge Aguirre (cineasta cubano)
A jornada prossegue até o dia 19, quando serão premiados os vencedores. Confira a programação completa
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