29/07/10
SemCine: Produtores e distribuidores se reúnem para fechar parcerias internacionais
Kleyzer Seixas, do A TARDE On Line
A tentativa de fechar parcerias e coproduções de filmes e vídeos motivou profissionais da área de cinema do Brasil e de outros países a se reunirem nesta quinta-feira, 29, no Hotel Vila Galé, para o V Encontro Internacional de Produtores e Distribuidores de Cinema e Televisão, que integra a programação do SemCine.
Na rodada de negócios, empresas responsáveis pelas criações de longas, curta-metragens, documentários e infanto-juvenis, dentre outros formatos, do Brasil e de países como a França, Argentina, Chile, Estados Unidos e Alemanha, falaram sobre a experiências na área audiovisual e dos trabalhos desenvolvidos como forma de estreitar relações e buscar distribuidores que possam lançar seus projetos em mercados diferentes.
Presidente do Programa Cinema do Brasil, responsável por promover o encontro, André Sturm destacou a importância do intercâmbio. “Aproveitamos que o Seminário cataliza a atenção do mercado de cinema e fazemos essa parceria. O SemCine tem mostra de filmes e reflexão estética sobre produção, não se resumindo somente às discussões do mercado. E nesse ambiente temos um encontro que é um passo à frente para nós”.
O resultado concreto do encontro, no entanto, é de difícil avaliação, segundo Sturn. “Não temos como saber quantos acordos foram fechados, porque as parcerias são feitas por etapas. Aqui, há o primeiro contato. Depois os interessados vão desenvolvendo os seus trabalhos, caso tenham interesse, passo a passo. É como se fosse um namoro: primeiro o casal se conhece, depois pega na mão e em seguida vem todo o resto”, destacou.
Para Walter Lima, diretor do SemCine, a reunião realizada em Salvador é uma excelente estratégia para atrair a atenção do mercado estrangeiro. “Este é um momento raro na Bahia, porque quando vamos a outros festivais não temos a mesma visibilidade, já que os negociadores estão em busca de grandes acordos. Somos a periferia da periferia. E estando aqui é diferente. Eles vão nos ouvir, estarão à nossa disposição”, destacou.
Negócios – Apesar do interesse dos produtores brasileiros em internacionalizar suas produções, a procura de estrangeiros pelo mercado brasileiro também é considerada grande, segundo Lima. “Quem é de fora também quer fazer negócio conosco, porque o Brasil é um bom mercado para o cinema. Eles querem colocar a produção deles aqui e os produtores nacionais, lá. E como eles têm mais dinheiro, procuramos fechar coproduções”, destacou.
A Primo Filmes, de São Paulo, por exemplo, espera fechar parcerias para lançar os longas de ficção “A Montanha” e “Trinta” e os documentários “Marias” e “Tokiori – Dobras do Tempo”. Segundo a representante da Primo, Renata Volter, a intenção é que os novos trabalhos atinjam o mesmo desempenho de alguns dos filmes já lançados pela empresa, como "O Cheiro do Ralo”, “Fabricando Tom Zé” e “Elevado 3.5”.
Já a baiana Vogal Imagem pretende estreitar relações com produtoras internacionais, para viabilizar a distribuição de um documentário sobre a crise na Argentina em 2001, intitulado “Outras Pampas”. “Temos outros dois documentários, mas o interesse aqui é lançar este”, destacou Wallace Nogueira, um dos sócios da empresa.
A diretora da carioca Íris Cinematográfica TV, Isa Albuquerque, destacou o quanto o evento facilita o trânsito de parcerias. “O encontro cumpre uma função administrativa e canaliza interesses”, afirmou. A empresa produz documentários e séries para a televisão.
Estiveram presentes ainda representantes de outras 20 empresas brasileiras, a exemplo da Hamaca Filmes (Bahia), Liberato Produções Culturais (Bahia), Ocean Films (Santa Catarina), Plano 3 Filmes (Bahia), Truque Produtora de Cinema (Bahia), Coisa de Cinema (Bahia) e Digital Films e Tons (São Paulo). Dos grupos internacionais, participaram da discussão representantes da Europa Filmes, Sorolla Films (Espanha), UKBAR (Portugal) e M-Appeal (Alemanha).
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