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Em 28 de
dezembro de 1895, num café em Paris, houve a primeira
exibição pública de cinema, proporcionada pelo cinematógrafo,
inventado pelos irmãos Lumière. Nem os próprios inventores
acreditavam no futuro espetáculo que a máquina proporcionaria.
Desde então não foram poucas as diferentes expressões
que o cinema assimilou nos cem anos que se seguiram.
Inicialmente
o objetivo maior era a reprodução fiel da realidade,
a documentação. Mais tarde, é a ficção que será disseminada.
Vão surgir os movimentos cinematográficos. O "Star-system",
iniciado em 1910, em que o ator escolhido para determinado
filme designava o sucesso da película. Mapas e padrões
de montagem são estabelecidos e o cinema transforma-se
em mercadoria.
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Um novo modelo de montagem e uma nova linguagem são atribuídos
ao cinema soviético da década de 20. Quem bem soube desenvolver
esse novo estilo foi Eisenstein, para quem de duas imagens
sempre nasce uma terceira. Fora a antiga URSS, a Alemanha
também fugia da tentativa de reproduzir o real e cria
o cinema expressionista entre as décadas de 20 e 30.
Influenciado pela literatura e artes plásticas, o expressionismo
alemão deformava a realidade. Também nos anos 20, o cinema
encontra com a "Avant- Garde" francesa, uma nova expressão.
Dava-se uma maior ênfase às expressões subjetivas do ser
humano: sentimentos, estados de espírito, aspirações,
nostalgia, etc.
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Chega o momento do surrealismo cinematográfico tão bem
representado por Luís Buñuel em filmes como Cão Andaluz
(1928) e A Idade do Ouro (1930). Na mesma época surge
a Escola Documentária Britânica, a Internacional do Cinema
Revolucionário, o grupo Nova Objetividade ou Cinema Proletário
reagindo contra o expressionismo, a Liga Internacional
do Cinema Independente, todos esses movimentos com um
objetivo comum, lutar contra o sistema cinematográfico
dominante, o cinema americano. Dentro do cinema americano
gêneros como o bangue-bangue e a comédia musical ganham
espaço.
Chega a década de 40 e mais uma vez o cinema desata em
grandes modificações, começam a aparecer os cinemas novos.
A Segunda Guerra Mundial vai dar uma boa contribuição
para as novas tendências. O Neo-Realismo italiano volta-se
para a situação social, rural e urbana do pós-guerra.
Vem a democratização e com ela o Neo-Realismo intimista
ou metafísico representado por Fellini e Antonioni na
década de 50.
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Na mesma década e se estendendo aos anos 60, a "Nouvelle
Vague" francesa é a grande novidade. Proveniente de críticos
e não de produtores, a Nova Onda pregava o cinema de qualidade,
comercial e acadêmico de conteúdo existencialista. Seus
representantes mais expressivos foram Jean-Luc Godard
e François Truffaut.
Essa nova gama de estilos se espalha rapidamente pelo
mundo e em 1960 vai surgir o "degelo" soviético, com estilo
mais fluente abordando a vida cotidiana e os sentimentos.
O mesmo "degelo" mostra-se presente em outros países da
Europa Socialista onde a renovação cinematográfica foi
ainda mais vivaz como na Polônia, antiga Tcheco-Eslováquia,
Hungria e Iugoslávia.
A Alemanha retoma e renova o expressionismo do início
do século. No Brasil, o Cinema Novo propriamente dito,
encabeçado por Glauber Rocha, torna o cinema uma força
cultural que permite a representação de inquietações políticas,
estéticas e antropológicas.
As décadas de 70 e 80 apresentaram
poucas manifestações significativas para o cinema europeu,
entre as que se destacam, o cinema do Alemão Win Wenders,
ora descritivo/contemplativo, ora político. No mesmo período,
o inglês Peter Greenaway vai introduzir o cinema/teatro,
com estética barroca. São as artes plásticas mais uma
vez influenciando o cinema europeu.
Até então o cinema passava por uma crise. O público, dominado
pelo aparecimento da TV em 50, vai abandonar expressivamente
as salas de cinema. Mas é no fim da década de 80 que o
filme E.T. (Steven Spielberg) terá um importante papel.
O filme marca
o reaparecimento do cinema subordinado ao produtor e
a volta do espectador às salas de cinema. A produção
do filme que havia custado 8 milhões de dólares, arrecada
700 milhões. O cinema volta a ser um negócio lucrativo
e ganha características mais populares. Os produtores
que trocaram o cinema pela TV, retornam à produção cinematográfica.
O sucesso dessa forte industria torna o negócio o segundo
mais lucrativo nos Estados Unidos.
Em 1990 aparecem
contrapesos para mais essa dominação americana. Todo
o cinema mundial reage e assistimos ao seu renascimento.
Mais expressivo em alguns países, o Brasil por exemplo,
o renascimento dá vazão à idealização de novos formatos,
como o do Dogma 95 em que dez "mandamentos" moldam um
novo modus operandi na realização dos filmes.
O Marketing,
no entanto, principal expressão da indústria americana,
tem seu lugar de prestígio em qualquer nova produção
cinematográfica. Outra característica que se estendeu
ao cinema em geral, é o uso das tecnologias para incrementar
as narrativas e melhorar a qualidade dos filmes, o que
nem sempre acontece.
A idéia de
fragmentação e referência proposta por esse novo processo
artístico, o pós-modernismo, é freqüentemente identificada
no cinema da década de 90. A variedade cinematográfica
que invade o cinema da última década passa tanto a idéia
de alienação temporal e geográfica, quanto a de registro
do real - este último parece um retorno ao processo
de documentação do início do século. Também a fusão
de diferentes imagens proposta por Eisenstein mostra-se
presente na atualidade, assim como o surrealismo de
Buñuel. Toda a subjetividade de sentimentos, um tanto
existencialistas, lembram ainda a "Avant-Garde" francesa.
De alguma
forma, praticamente todo o desenvolvimento dos filmes
atuais pode ser associado às diferentes manifestações
que foram mencionadas acima. Pode-se dizer que as observações
feitas são abrangentes o bastante para serem usadas
da mesma forma em qualquer novo filme produzido, e que
alguns desses são uma "clássica" reprodução do pós-modernismo
nas telas de cinema.
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